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Após um século de Orwell: Política, Pós-Modernismo e reputação

Caleidoscópio - Revista de Comunicação e Cultura

Sobre a Fonte de Informação
 
 
Campo Valor
 
Autor Vaninskaya, Anna
 
Contribuidor Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
 
Data 2009-06-01T15:32:14Z
2009-06-01T15:32:14Z
2007
 
Identificador 1645-2585
http://hdl.handle.net/10437/562
 
Descrição Orwell é o padrão sob o qual ou contra o
qual os críticos se lançam na guerra. É um lugarcomum
que Orwell tem sido reclamado como a
luz orientadora de quase todas as doutrinas
políticas existentes, desde o velho Labour até
ao neo-liberalismo, mas em lado nenhum é o seu
lado icónico mais evidente do que na utilização
que dele é feita como figura de proa na batalha
contra o pós-modernismo académico. Nada nos
escritos de Orwell, clar, nem sequer os seus
mais cáusticos ataques ao “relativismo”
induzido pelo Partido de intelectuais de
Esquerda, sugere que tenha inventado ou
mesmo previsto o pós-modernismo e a oposição
a este. Mas um público institucional particular
insiste em reclamá-lo como profeta do primeiro
e, similarmente, como líder espiritual da
segunda. São eles, não ele, que fazem a ligação
entre reescritas ideológicas da história e da
ciência nazis e soviéticas (ou de inspiração
soviética) e as práticas dos académicos ocidentais
de hoje, e extrapolam consequências totalitárias
deste facto. Que ambas as actividades
são exemplos flagrantes da falácia do tipo “se
Orwell aqui estivesse hoje pensaria como eu”,
foge à sua atenção. Que os escritos de Orwell,
com selecção e interpretação adequadas,
possam servir como arma de eleição na cruzada
anti-pós-moderna confirma o seu valor instrumental
mais do que fundacional. Também
constituem a matéria-prima para este tipo de
crítico mais preocupado com a política britânica
moderna, que trata de pendurar a sua,
discutivelmente mais fiel, versão de Orwell na
parede.

Orwell is the standard, under or against
which critics go to war. It is a common place
that Orwell has been claimed as the guiding
light of almost every political doctrine in
existence, from old Labour to neo-liberalism, but
nowhere is his iconic status more evident than
in the use made of him as the figurehead in the
battle against academic postmodernism.
Nothing in Orwell’s writings, of course, not
even his most virulent attacks on the Partyinduced
“relativism”of Left intellectuals,
suggests that he invented or even foresaw
postmodernism and the opposition to it. But a
particular institutional audience insists on
claiming him as the prophet of the former and,
correspondingly, as the spiritual leader of the
latter. It is they, not he, who make the
connection between Nazi and Soviet (or Sovietinspired)
ideological rewritings of history and
science and the practices of today’s Western
academics, and extrapolate totalitarian consequences
from this fact. That both activities are
blatant instances of the “If Orwell were alive
today he would think like me” fallacy, escapes
their notice. That Orwell’s writings, given
proper selection and interpretation, can serve
as the weapon of choice for the antipostmodernist
crusade confirms their instrumental
rather than foundational value. They
also provide the raw material for the type of
critic more concerned with modern British
politics, who proceeds to hang up his own,
arguably more faithful, version of Orwell on the
wall.
 
Formato 121259 bytes
application/pdf
 
Idioma pt
 
Título Após um século de Orwell: Política, Pós-Modernismo e reputação
 
Tipo article
 

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